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Questionamentos da APEPI sobre a polêmica

Margarete Lins

O fato de estarmos aceitando recursos de empresas estrangeiras para pagar as despesas do seminário, não significa que vamos deixar de plantar ou de lutar pela produção nacional!


A partir do debate suscitado pela performance de Ricardo Petraglia, Margarete, diretora da APEPI e organizadora do evento Cannabis Medicinal, um olhar para o futuro, traz em seu texto questionamentos importantíssimosnao esclarecer a participação das empresas estrangeiras no fomento do evento, e avança ao evidenciar que é necessário nos apropriarmos cada vez mais de práticas experimentadas em outras partes do mundo. Por último, a autora apresenta uma visão de ativismo pautada na solidariedade e transparência. Confira:

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O vídeo é agressivo e desrespeitoso sim, porque chamar de "um bando de bundões" e colocar a foto da presidente da Fiocruz sem saber que temos um grupo de trabalho lá dentro que recebe cultivadores, que estamos fazendo um convênio para apresentar um projeto de cultivo, que tem realizado debates importantes sobre maconha, que tem colocado a maconha em evidência nesses anos, é tão absurdo que vários integrantes da mesma associação que pertence esse ator, se desculparam no grupo de whatsapp que participamos junto com pessoas da Fiocruz.

O fato de estarmos aceitando recursos das Revivid e outras empresas que fazem óleo nos EUA para pagar as despesas do seminário, não significa que vamos deixar de plantar ou de lutar pela produção nacional, uma coisa não tem nada a ver com a outra.

Quem conhece minha luta nesses anos sabe o quanto eu apoio o cultivo. É muito chato e desgastante ter que ficar aqui explicando essas coisas, sabe? Eu planto maconha e apoio o cultivo desde que entrei nessa luta, o evento está todo trabalhado nisso, você já leu nosso manifesto que será apresentado lá? Porque não podemos falar das coisas construtivas que esse evento vai trazer? Porque não podemos debater com o fundador da Bedrocan? Porque não podemos ouvir a história dele? Porque não podemos ouvir uma brasileira que trabalha com maconha medicinal na California? Se ela tem dinheiro e quer ajudar na construção do evento, qual o problema? Radicalismo pra que gente?

Olhem minha página pessoal o quanto eu defendo os cultivadores, vejam que ontem eu mandei uma mensagem para um delegado de polícia que prendeu um cultivador que foi preso por tráfico, quem mais teve coragem de fazer isso? Olhem a página da Apepi veja quantos cursos de cultivo eu organizo e ajudo fazer distribuição de plantas sabiam que isso que eu faço é considerado tráfico? Semana passada como advogada fui lá pra Madureira despachar um Habeas Corpus para um companheiro da Apepi que planta, fiquei mais de 1 hora ouvindo asneiras de um Juiz e um promotor de justiça. Mesmo antes de ter Habeas Corpus eu expunha meu cultivo nas redes, sempre defendi a produção nacional. Ajudei e ajudo até na construção da Marcha da Maconha, alguém viu antes de mim uma ala cheia de mães na marcha da maconha? Sabe o quanto de trabalho eu tenho para fazer tudo o que faço?

Entre na página da APEPI e vejam nossos trabalhos http://apepi.org/

 

 

Tomamos a liberdade de apresentar os trabalhos da APEPI:

 

A APEPI é uma Associação de familiares de pacientes que fazem uso medicinal da Cannabis.

Os principais objetivos da Associação são a regulamentação da produção nacional (direito ao auto-cultivo, cultivo para pesquisas, cultivo via cooperativa), o apoio à pesquisa, divulgação dos benefícios do uso terapêutico da maconha e a quebra de preconceito, além do apoio aos pacientes e familiares.

Histórico

No final de 2013, um dos pais de uma criança especial, descobriu que nos Estados Unidos algumas crianças com epilepsia refratária faziam uso de um extrato de cannabis, rico em cannabidiol (CBD) sem características alucinógenas e tendo ótimos resultados. Começou então o compartilhamento dessa informação e a importação desse extrato por algumas mães.

Com a grande dificuldade de se ter acesso e aos excelentes resultados, sobretudo em doenças raras e epilepsia refratária, as famílias começaram a lutar por seus direitos tendo ampla cobertura da mídia, resultando num documentário – Ilegal: A vida não espera (disponível na NOW e Netflix). O documentário mostra também a luta de pacientes de outras patologias como câncer e dor crônica que usavam a cannabis com bons resultados, e que apesar das melhorias e utilização em outros países, não era reconhecido esse acesso aqui no Brasil.

Sentindo necessidade de uma associação no Rio de Janeiro, formalizou-se a APEPI com o principal objetivo de desenvolver ações para favorecer o acesso à cannabis como mais uma opção terapêutica justa e democrática, além de estimular a pesquisa e dar apoio às famílias.

A Apepi fomenta a mobilização da sociedade e apoio mútuo em prol da regulamentação do uso medicinal da maconha para garantir a todo brasileiro o direito à informação e acesso ao tratamento com a cannabis. Seu principais objetivo são:

Busca a regulamentação da produção nacional de cannabis para uso medicinal

Estimula a Pesquisa do uso medicinal da cannabis

Divulga conhecimento sobre uso medicinal da cannabis

Apoia pacientes e familiares na obtenção de informações e acesso à cannabis para fins medicinais

Promove o cultivo da cannabis por associação e o autocultivo

A APEPI amplia sua luta para facilitar o acesso a todos os pacientes que precisam e querem utilizar a cannabis como uma via terapêutica, por exemplo para dores crônicas, câncer, AIDS, Parkinson, esclerose múltipla, etc, pois a importação não garante o acesso, tendo em vista seu alto custo mensal (de dois mil até quinze mil reais, em pacientes adultos).

Sabendo que a cannabis é uma planta de cultivo fácil e baixo custo, começou uma luta maior pela regulamentação do cultivo individual, do cultivo coletivo, enfim por uma produção nacional que garanta o acesso a esse medicamento.

Só quem tem a urgência de precisar de um medicamento que pode ser a diferença entre a apatia e a alegria de uma criança, entre vida e morte, sabe que a vida não espera.

 

Transparência

A Apepi, representada pela sua equipe, acredita que a ética é um pressuposto fundamental em tudo que se faz. E por isso mesmo transparência é indispensável. Apesar dos recursos serem mínimos, acreditamos que a publicação da arrecadação e dos gastos, desde o início reforça a credibilidade no trabalho que estamos fazendo.

Estamos colocando um resumo das receitas e dos gastos de 2016, através dos gráficos abaixo. O ano de 2014 e 2015 a Apepi não existia formalmente (juridicamente), então não foram feitos balanços, nem houveram valores representativos, dessa forma os custos foram bancados voluntariamente por alguns membros da equipe.

Em 2016, os gastos e receitas completos foram enviados para o conselho fiscal, que analisa e emite um parecer. O conselho é eleito em assembléia e busca dar credibilidade e representação aos associados. Nosso conselho Fiscal é composto pelo Dr. Eduardo Faveret, a Professora Dr.ª Virginia Martins Carvalho e a responsável pela mídias sociais e mãe da Maria Luísa (paciente que também utiliza o óleo de cannabis) Fernanda Ribeiro. Os pareceres estão anexados abaixo:

Parecer da Profª. Drª Virginia Martins Carvalho

Parecer da Fernanda Ribeiro

Valores (ano de 2016):
Receitas: R$22.741,00
Despesas: R$18.143,59

Em caixa: R$4597,41

 

 

 

Aqui encontram-se listadas algumas iniciativas da APEPI:

Reuniões de apoio a pacientes e familiares:

Apoio e informação ao uso terapêutico da cannabis

Oficinas de Plantio e de Produção do extrato à base de cannabis para fins terapêuticos

Debates, palestras e eventos em Instituições de Pesquisa e de medicina

Debates, palestras e eventos com a sociedade em geral

Mostra dos filme Ilegal e Estado de Necessidade (curta) com espaço para Discussão

Apoio e parceria á pesquisa – Análise da dosagem dos óleos (Projeto Farmacannabis)

Articula e apoia iniciativas de produção de medicamentos à base de cannabis

Organiza e participa de eventos mobilização pública

Articula Redes e ações conjuntas com associações e instituições pró – Cannabis medicinal inclusive na américa latina

Presença na internet e mídias sociais

Mapeamento das Iniciativas brasileiras e das Organizações e associações de pacientes de Cannabis medicinal

 

*Todas as informações foram extraídas do site da http://apepi.org/


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