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Editorial


A marofa uruguaia toma os quatro cantos do mundo e pouco a pouco, o exemplo de um pequeno país traz a tona o que um coro de ativistas e cientistas já sabiam: a proibição das drogas, amparada ideologicamente na eugenia, falhou. Mas para quem? Não falhou para as indústria farmacêutica e de armamentos, e muito menos para as grandes empreiteiras e empresas de segurança. A política de drogas falhou com as minorias, falhou com o ser humano e contrariou todas as liberdades para defender os interesses de setores específicos, empenhados em construir sistemas de controle violentos destinados a combater essa planta que nos anos 1950 era o mais temível “flagelo da humanidade”, hábito de “negros, pobres e incultos”. Logo, as camadas populares estavam naquela conjuntura “reféns” da fitoterapia e do curandeirismo, concorrentes então inabaláveis da classe médica e suas extensões econômicas. Muito bom a vida não ser rua de mão única, e é chegada a hora de dar um cavalo de pau e mudar; é hora de ampliar a discussão e trazer luz aos reais motivos que fizeram de uma planta o mal que assola nossa comunidade. É na tarefa de alimentar o debate que a ACUCA – Associação Cultural Cannabica de São Paulo lança sua revista eletrônica, reunindo arte, ciência e ativismo no resgate cultural de uma prática milenar que insiste em respirar em um mundo cada vez mais opressivo. Sua cultura e sua medicina permanecem inabaláveis diante de um inimigo envergonhado que procura amparar suas posições na “moral e nos bons costumes”, mantendo invenções a muito tempo desmascaradas pelo saber científico. 

[Cannabica]

 

Editor

 

Rafael Morato Zanatto é doutorando e mestre em História e Sociedade pela UNESP/Assis. Trabalhou na concepção de eventos culturais para a Cinemateca Brasileira, como a VI Jornada Brasileira de Cinema Silencioso e a mostra 300 anos de cinema. Como ensaísta, publicou textos sobre a drogas, cultura, política e anarquismo nos portais dos coletivos DAR - Desentorpecendo a Razão e o luso-brasileiro Passapalavra. Atualmente é pesquisador associado ao grupo Maconhabras de Cannabis Medicinal vinculado ao CEBRID – Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas e sócio fundador da ACUCA – Associação Cultural Cannabica de São Paulo. Foi editor do jornal contracultural A Planta, que circulou entre 2008 e 2010 no circuito universitário do interior de São Paulo. rafael_zanatto@hotmail.com

 

Conselho Editorial

Daisy de Camargo é Mestre em História pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Doutora em História e Sociedade pela UNESP/Assis. Trabalhou como historiadora no Museu da Imagem e do Som de São Paulo e no CONDEPHAAT. Atuou em trabalhos de pesquisa histórica, iconográfica e elaboração de textos para várias editoras e órgãos públicos. Atualmente realiza um pós-doutorado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) sobre a história das tabernas de Madri. Publicou Alegrias Engarrafadas: os álcoois e a embriaguez na cidade de São Paulo no final do século XIX e começo do XX. São Paulo: Editora Unesp, 2012 e o O Teatro do Medo: a encenação de um pesadelo nas imagens do periódico anarquista A Plebe (1917-1951). São Paulo: Editora Paco (no prelo).

Lucas Maia é biólogo, mestre em Psicobiologia pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e doutorando em Saúde Coletiva pela UNIFESP. Atualmente é pesquisador do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID), do Departamento de Medicina Preventiva da UNIFESP. Estuda propriedades medicinais da Cannabis sativa, com publicações sobre o tema em periódicos e revistas de divulgação científica. Atualmente, coordena o grupo de estudos sobre Cannabis medicinal Maconhabras do CEBRID. 

J.R.Bazilista é professor, escritor, desenhista e anarquista. Formado em Mecânica de Automóvel e em História pela Unesp e cursando malaquice na vida. Trabalhou desde feirante, mecânico, garçom,... a arquivista e pesquisador na Cinemateca Brasileira. Ilustrou dois números da revista Pensamento e artigos sobre maconha. Mantém um blog com quadrinho autoral hqtaxidermia.blogspot.com. Escreveu um projeto de pesquisa como aluno-especial do programa de pós- Graduação (2004) - Unesp/Assis:A Fada Negra: Do Alívio dos males ao mal combatido, de como a Morfina e a Cocaína tornaram-se uma questão de saúde pública no Brasil mediante ao Decreto Lei n°:4.294 - de julho de 1921 e seu regulamento de 03 de setembro do referido ano.  (projeto recusado por não se adequar as linhas de pesquisa da instituição). Desde 2001 é Professor Efetivo da rede pública estadual. Atualmente é aluno do curso Quadrinho de Autor/Sesc - SP. Às vezes, mas muito às vezes, é ator, produtor e cineasta. É negro, tem o dedo amarelo e os olhos vermelhos. 

Renato Filev, 29, brasileiro, paulistano, mestiço de origens multiétnicas, estudante de doutorado em Neurociências pela Universidade Federal de São Paulo, realiza pesquisas com canabinóides e outras substâncias psicoativas em dependências e outros transtornos psiquiatricos. Participa de movimentos sociais e redes ligadas ao movimento antiproibicionista tendo como foco o fim da guerra as drogas. Dentre estas organizações estão: Coletivo DAR, Maconhabras e Rede Pense Livre.

Fabiano Cunha dos Santos é doutorando em Antropologia e Etnologia pela Universidade Federal da Bahia. Mestre pelo programa de pós-graduação Educação e Contemporaneidade da Universidade do Estado da Bahia. Possui duas habilitações no curso de graduação em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia: bacharelado em 2007 e licenciatura em 2009. É membro da LANPUD – Rede Latino-americana de usuários de drogas e da ABESUP – Associação Brasileira de Estudos do Uso de Psicoativos. Integra o coletivo organizador da Marcha da Maconha Salvador e do videolog http://lombra.com.br/.

Luciano Siqueira é autor e editor de livros de certificação em Linux e Software Livre, trabalhou na formação de profissionais Linux no Brasil, América Latina e Caribe. Programador, é criador de projetos de código aberto em plataforma Web. É formado em Psicologia pela Unesp/Assis, também é músico amador e atualmente estuda Matemática Computacional na USP/Butantã.

Eder Capobianco é jornalista formado na FMU-FIAM e atualmente cursa Letras na Unesp de Assis. Também realiza atividades como fotógrafo e fotojornalista. Trabalhou como jornalistas nas editoras ESS, Banas e MarketPress. Atua no Coletivo Espontaneísta na organização da Semana de Liberdade Criativa desde 2009, evento cultural que ocorre a sete anos no Campus da Unesp de Assis. Participou em 2012 e 2013 da comissão organizadora do Festival da Palavra, realizado também na Unesp/Assis. Foi editor do jornal contracultural A Planta, que circulou entre 2008 e 2010 no interior de São Paulo. Editor da rede de blogs Antimidia (http://antimidiablog.wordpress.com) e do blog Reblogador (http://reblogador.wordpress.com).

Marco Magri é cientista social (PUC/SP), formado no Curso de Formação para Conselheiros Municipais (SENAD/MJ), pesquisador da área de políticas públicas sobre drogas

Fernando da Silva é usuário de Cannabis e jardineiro amador. Bacharel em Comunicação Social (ESPM) e Direito (USP), defende a legalização das drogas e milita na Marcha da Maconha São Paulo desde 2010. É integrante do ResPire- grupo de Redução de Danos vinculado ao Centro de Convivência É de Lei e membro-fundador da ACuCa - Associação Cultural Cannábica de São Paulo. O Profeta Verde.

Júlio Delmanto é graduado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, com mestrado em História Social pela Universidade de São Paulo, tendo defendido em 2013 a dissertação "Camaradas Caretas: drogas e esquerda no Brasil após 1961". No momento é doutorando no mesmo programa de História Social. Pesquisador do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (NEIP) e da Associação Brasileira de Estudos Sociais sobre Usos de Psicoativos (Abesup), é também ativista do movimento antiproibicionista, atuando no Coletivo Desentorpecendo a Razão (DAR) e na Marcha da Maconha SP. juliodelmanto@hotmail.com

Thiago Cunha Tabaréu é corredor de mundos, libertário, ayhuaskeiro, historiador pela UNESP – FCL Assis, professor da Rede Municipal de Educação de São Paulo, “Antropólogo”urbano por vocação, vegetariano, pixador e grafiteiro desde os 10, filho da Mata Atlântica, coração de sangue quente, latino-americano buscando a serenidade, em suma, humano demasiadamente humano. Área de atuação: Paraisópolis, zona Sul, SP. Faz camisetas, algumas ilustrações, stencil e não vê a hora de terminar uma pós no Instituto de Artes da UNESP.

Paulo E Orlandi-Mattos é Farmacêutico e Bioquímico pela UFSC, Mestre em Saúde e Ambiente pela UFMT - área de Farmacologia de Produtos Naturais, doutorando em Biologia Molecular pela UNIFESP, atua na área de Validação Pré-Clínica de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, organizou em 2010 o Simpósio Internacional: Por uma Agência Brasileira da Cannabis Medicinal?, membro do Grupo Maconhabras do CEBRID – Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas e da ACUCA – Associação Cultural Canabica de São Paulo.

Lucas de Almeida Pereira é Doutor em História e Sociedade pela UNESP/Assis e atualmente realiza um pós-doutorado pela Universidade Federal do ABC sobre história da informática e no Brasil e das políticas públicas sobre tecnologia. Interessado na articulação entre política, cultura e sociedade publicou um artigo sobre "Uso de drogas e poder de normalização" no primeiro Congresso Michel Foucault ocorrido na UNESP Marília em 2010.

Marcel Arruda Furquim é mestrando em História Cultural na UNESP – Assis, com a pesquisa A Revista Playboy e a Subjetividade Masculina 1975 – 1985. Professor efetivo do Ensino Público do Estado de São Paulo. Oficial do Estado de São Paulo.

Bruno Muneratto é Mestre pelo programa de História e Sociedade, da UNESP/Assis, na linha de pesquisa História Social da Cultura. É artista plástico e desde inícios de 2013 desenvolve a série “Introspecências” (obras em vidro que desejam refletir o tema da entorpecência introspectiva). Atua também como músico percussionista e pesquisador de ritmos. Trabalha no desenvolvimento de conceitos na organização de cultura, como o de “Liberdade Criativa”, aplicado na Universidade Estadual Paulista – Assis, SP e na Faculdade Metropolitana da Grande Fortaleza, Fametro, CE em Semanas Culturais não-acadêmicas. Foi colaborador e ilustrador jornal contracultural A Planta, que circulou entre 2008 e 2010 no interior de São Paulo. É professor de História da Arte e Filosofia Moderna e Contemporânea.

Armando Lacerda é professor graduado em História pela Universidade Estadual Paulista (UNESP/FCL-Assis). Canhoto e admirador das belas artes, experienciou diversas técnicas e possibilidades estéticas como artífice amador, além de ser colaborador na concepção e produção visual de eventos culturais. Atuou em pesquisas históricas e iconográficas sobre História da Arte, particularmente sobre o uso do cinema, fotografia e artes plásticas como fontes didático-pedagógicas para o ensino de História. Atualmente, como professor efetivo da rede pública de ensino do Estado de SP, se dedica à pesquisas sobre educação patrimonial e patrimônio histórico paulistano. Além de prestar consultoria de pesquisa iconográfica, produção visual e ilustração pela Boca do Lixo Perfumarias Artísticas.